Cerimónia do Dia do Diploma

Escola Secundária de Gouveia

12 de Setembro de 2008


 




Senhor Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária de Gouveia

Senhora Governadora Civil do Distrito da Guarda

Senhor Vereador da Câmara Municipal de Gouveia, em representação do Município

Senhora Directora Regional Adjunta de Educação da Região Centro

Senhores professores

Caros estudantes e suas famílias

Demais funcionários

Caros amigos desta escola




É com muita satisfação que, passado pouco mais de um mês, num outro contexto, regresso a Gouveia. Regresso naquilo que é a forma mais feliz de estar nesta terra: valorizando, apreciando aqueles que, justamente, estão a ser homenageados pelo mérito como, ao longo do seu percurso educativo, corresponderam às expectativas que estabeleceram para si próprios, às expectativas das famílias, à confiança e ao trabalho dos professores, e para quem se vira uma página.

Vocês, pelo vosso trabalho, são a marca da esperança e da confiança que devemos ter no futuro.

O que hoje aqui assinalamos – a conclusão do 12º ano, quer para aqueles que fizeram um percurso regular de ensino quer para aqueles que tiveram uma nova oportunidade, estando já no mundo do trabalho, de regressar à escola e obter novas qualificações – corresponde a uma aposta decisiva do país e de todos os portugueses, que o Governo entendeu marcar neste início de novo ano lectivo.

Um novo ano lectivo é um tempo de festa. Um tempo de partida para novos desafios. Destes mais de 50 alunos que concluíram, com sucesso, o 12º ano, muitos irão, já na próxima semana, saber qual é o seu destino no ensino superior. Outros irão ter já experiências no mundo do trabalho, não devendo, em qualquer caso, deixar de apostar, ao longo de toda a vida, em novas qualificações e numa formação permanente.

Vocês estão a acabar um ciclo longo. Foram, pelo menos, 12 anos de trabalho. A partir de agora, muitos de vós vão continuar o vosso percurso fora da vossa terra, num contexto diferente, que vai exigir mais de vocês.

Muito daquilo que são hoje deve-se aos vossos professores, aos funcionários da escola, ao enquadramento que a comunidade educativa soube dar-vos. Não há nada de mais gratificante como a experiência de, uns anos depois, voltar ao sítio onde fizemos o nosso percurso de ensino básico ou de ensino secundário e reencontrar aí antigos colegas, antigos professores e funcionários que connosco conviveram.

É bom que muitos encontrem, daqui a uns anos, um futuro que esteja ligado a esta terra e a esta região, mas que também circulem pelo mundo fora. Mas onde quer que estejam no mundo, esta escola irá sempre marcar a vossa vida.

Hoje, celebramos pela primeira vez aquilo a que se chama o Dia do Diploma, em que se atribuem os graus de mérito e de reconhecimento a todos aqueles que concluem o 12º ano. É uma iniciativa que merece ser incentivada e alargada, porque a obtenção deste grau de ensino é um factor de competitividade e de diferença numa área em que, infelizmente, Portugal tem ainda um grande caminho a percorrer. Daí a forte aposta do Governo na educação e na formação profissional, conferindo novas oportunidades àqueles que estão já no mundo do trabalho e que não tiveram, na idade da maioria de vós, a oportunidade de cumprirem o percurso educativo normal.

Hoje, em Portugal, no mundo do trabalho, 73 por cento dos portugueses tem habilitações correspondentes apenas ao 9º ano, ou menos do que isso. Apenas mais 17 por cento tem qualificações ao nível do 12º ano. Esse é, hoje, um domínio em que Portugal tem de dar, rapidamente, passos que nos aproximem dos países mais desenvolvidos da União Europeia. Mais qualificações académicas e melhores qualificações profissionais são condições indispensáveis para que tenham armas para, num mundo global, em qualquer parte do mundo, estarem preparados para os desafios dos novos tempos.

Esta aposta do Governo traduz-se desde o pré-escolar, que está a ser crescentemente alargado, com uma taxa de cobertura que se aproxima dos 90 por cento ao nível dos cinco anos. Mas também no 1º ciclo, em que se deve, desde logo, aprender inglês, contactar com a informática e ter acesso à expressão artística. Esta igualdade para todos é uma condição fundamental para que, quem nasce no interior, quem nasce numa pequena localidade, tenha o acesso à mesma formação que aqueles que têm mais recursos económicos ou nascem em zonas mais centrais do país. Uma escola pública de qualidade para todos é um factor de igualdade, de coesão, de justiça entre os portugueses.

Mas também a partir daí, no ensino básico e secundário, tem sido notória a aposta em novos estabelecimentos educativos, com mais qualidade, bem como o esforço para um acesso mais igualitário ao ensino superior.

Quando eu acedi ao ensino superior, em 1979, ele não tinha ainda, em Portugal, 100 mil estudantes. Hoje, felizmente, tem mais de 300 mil, considerando o sector público e privado. Temos de fazer uma aposta na qualidade. Mas é decisivo para o país que o acesso à formação seja o mais alargado possível, que todos tenham oportunidade de experimentar.

Este ano lectivo é marcado por profundas mudanças no sistema educativo. Mudanças em termos de investimento, com os quadros interactivos ou com o alargamento de apoio informático. É uma aposta para que, nos domínios dos instrumentos de apoio ao ensino, possamos estar ao nível dos melhores da Europa. Só assim podemos recuperar o atraso relativamente aos países mais desenvolvidos.

Estamos em tempo de mudança ao nível dos centros educativos que, com o apoio de financiamento da União Europeia, estão a ser construídos, em colaboração com as autarquias locais, um pouco por todo o país, mas sobretudo nas regiões de convergência como a região centro e a área da Serra da Estrela, em que nos encontramos.

Mas é também um ano de desafios pela aproximação ainda maior da escola à comunidade. Com o novo regime de gestão escolar, que permite democratizar a escola e reforçar a participação das famílias na gestão escolar, é possível alargar a responsabilidade da participação autárquica no órgão colegial que designa os responsáveis pela gestão escolar

É um ano também marcado pela transferência de competências para os municípios até ao 9º ano, isto é, relativamente a todo o ensino básico. É, por tudo isto, um ano de continuação de desafios para uma escola inclusiva, que seja um factor de competitividade, de igualdade e de solidariedade entre todos os portugueses.

O vosso exemplo merece ser apreciado e homenageado. Merece que uma escola como esta continue a afirmar os bons resultados, que devem orgulhar todos os que aqui trabalham.

Que o sucesso deste ano seja uma estrela que vos conduza ao longo de toda a vossa vida. Que o mérito que demonstraram, que a capacidade de expressar os vossos sentimentos – como aqui demonstrou o Rafael - seja um sinal, um caminho para que, ao longo das vossas vidas, continuem a fazer mais e melhor. E que outros, que muitos mais, que todos aqueles que a tal aspirem tenham a oportunidade de um futuro de qualificação, com maior prosperidade e maior felicidade

Boa sorte para todos.